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Novas regras para bater o cartão ponto - 27/07/2010

- Prazo para adaptação encerra em agosto, mas dois terços das empresas não trocaram aparelho

 

Empresas catarinenses estão abrindo mão da tecnologia para controlar o horário de entrada e saída dos funcionários. O motivo: evitar o gasto de cerca de R$ 2 mil para trocar a máquina do ponto, conforme exigência do Ministério do Trabalho e Emprego.

A partir de 21 de agosto, a Portaria 1.510 obrigará o uso de equipamento que imprima um comprovante do horário para o trabalhador, na intenção de extinguir fraudes ou modificações nos registros.

No país, a estimativa é de que dois terços das empresas ainda não providenciaram a troca dos equipamentos que registram a entrada e a saída dos empregados. Pior, na expectativa de que os procedimentos estabelecidos pelo Ministério do Trabalho seriam revogados, o empresário que deixou para adquirir a nova máquina na última hora precisa entrar em fila de espera que chega a até 60 dias.

Em SC, a medida ainda divide opiniões. Enquanto alguns empresários já adquiriram o equipamento, outros optaram por retroceder ao tempo do ponto mecânico e do livro-ponto.

A Belli Studio, empresa de edição gráfica de Blumenau, está pronta para abandonar a era digital. A gerente Aline Muxfeldt da Silva explica que, como são apenas 12 funcionários, o investimento é inviável. O contabilista Thiago Kaufmann, da Contabilidade Prasco, também prepara os 14 funcionários para fazer as anotações sobre a jornada de trabalho a caneta.

– Acho um retrocesso, mas não temos como comprar outra máquina.

Kaufmann acredita que o novo sistema deixará o cálculo da folha de pagamento suscetível a erros. Antes, com os dados registrados no ponto eletrônico, o salário era calculado automaticamente. Com a portaria, o empresário deverá somar o número de horas trabalhadas para depois fazer o cálculo e chegar ao valor mensal. Há margem para erros de digitação ou de preenchimento.

Segurança para evitar adulteração

O chefe de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Blumenau, Júlio César Rhenns, afirma que métodos como o mecânico e o livro-ponto são mais difíceis de adulterar se comparados à máquina atual, onde o funcionário bate o cartão, mas a empresa tem acesso ao sistema e pode modificar horários.

A Circuitec, de Blumenau, é uma das 64 empresas cadastradas para fabricar a nova máquina. O diretor José Gil Zips explica que a entrega do produto leva aproximadamente um mês. O custo varia de R$ 1,8 mil a R$ 2,3 mil. A Dudalina, por exemplo, gastou em torno de R$ 45 mil para se enquadrar às novas exigências.

– Vamos cumprir mesmo não concordando com a emissão de comprovantes. Isso vai contra a nossa visão de sustentabilidade – critica a gerente de RH da empresa, Tetê Barbeta.

 

Matéria publicada Diário Catarinense 27.07.2010