Reunião regional busca alternativas para destravar o trânsito no entroncamento da Jorge Lacerda com a BR-101

A articulação regional para viabilizar recursos do Governo Federal surge como o principal caminho para solucionar o gargalo viário no entroncamento da Rodovia Jorge Lacerda com a BR-101, em Itajaí. A proposta parte do entendimento de que a obra é estratégica não apenas para o município, mas para toda a economia regional e nacional, especialmente pela concentração de portos e corredores logísticos.

 

Essa estratégia foi discutida em reunião realizada na tarde de quarta-feira (04), na sede da Prefeitura, que reuniu o vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti, representantes de prefeituras da região e entidades empresariais, com foco na construção de uma solução estruturante para o trevo, ponto crítico que há anos compromete a mobilidade urbana e o fluxo de cargas.

Durante o encontro, o vice-prefeito Rubens Angioletti destacou que a experiência bem-sucedida do trevo da Avenida Antônio Ayres dos Santos serve de referência para o atual desafio. Segundo ele, a obra só foi viabilizada após forte mobilização regional e insistência junto aos governos estadual e federal. “Nós já mostramos que sabemos como fazer. Foi uma luta longa, com muitas idas a Florianópolis, até que o trevo saiu e hoje é uma obra que funciona e beneficia toda a região”, afirmou.

 

Angioletti ressaltou ainda que, no caso da Jorge Lacerda, a solução passa necessariamente pelo envolvimento do Governo Federal. “A Rodovia Jorge Lacerda é estadual e a BR-101 é federal. É justo que a União participe desse investimento, porque a obra beneficia diretamente a logística nacional, inclusive a própria BR-101”, pontuou. Ele também lembrou que Santa Catarina envia mais recursos a Brasília do que recebe de volta, reforçando a legitimidade do pleito.

 

A Associação Empresarial de Itajaí (ACII) participou da reunião por meio do vice-presidente José Humberto Côrtes e da secretária-geral Marilene Jesuino Espíndola, reforçando a posição do setor produtivo quanto à urgência de uma intervenção imediata. Para José Humberto, o gargalo no entroncamento da Jorge Lacerda com a BR-101 já deixou de ser um problema pontual de mobilidade urbana e se tornou um entrave ao desenvolvimento regional. “Essa é uma questão estratégica para a economia. O setor produtivo sente diariamente os impactos nos prazos, nos custos e na competitividade das empresas. Precisamos de uma solução definitiva, construída de forma conjunta entre municípios, entidades e os governos estadual e federal”, afirmou.

 

Na sequência, Marilene destacou que o cenário atual já configura um colapso logístico com impactos que extrapolam os limites do município. “O que está acontecendo no trevo da Jorge Lacerda afeta diretamente o fluxo de cargas para o Porto de Itajaí, gerando prejuízos às empresas locais e também a empresas de outros estados que dependem dessa logística. Temos recebido inúmeras reclamações de empresários que enfrentam atrasos, custos adicionais e insegurança operacional”, ressaltou.

 

A secretária-geral da ACII também reforçou a necessidade de união do setor empresarial diante da gravidade da situação. “É fundamental a mobilização de todo o empresariado. Esse não é um problema isolado, é um gargalo que compromete a competitividade da nossa economia, trava a BR-101, prejudica pessoas, empresas e a imagem logística da região”, convocou.

 

Segundo Rubens Angioletti, o objetivo agora é formalizar essa mobilização. A proposta prevê a elaboração de um documento conjunto, com a assinatura de prefeituras, câmaras de vereadores e entidades empresariais, demonstrando que a demanda não é isolada de Itajaí, mas regional. “Não é um pedido individual. É uma necessidade de toda a região, que hoje tem sua economia travada por esse gargalo viário”, destacou.

 

Como encaminhamento, foi definida a criação de uma comissão responsável por consolidar as contribuições apresentadas e conduzir as tratativas junto à bancada parlamentar catarinense, ao Governo Federal e ao Governo do Estado. O documento deverá ser levado a Brasília para dar mais peso institucional ao pedido.

 

Outro ponto relevante abordado na reunião foi a iniciativa da Prefeitura de Itajaí, ao perceber o colapso no Trevo de Itajaí com a Rodovia Jorge Lacerda, as inúmeras reclamações e os prejuízos causados a empresas e à população pelas longas filas, engarrafamentos e travamentos na BR-101. Diante disso, o município tomou a iniciativa de convocar entidades, representantes e parlamentares para iniciar um movimento em prol da implantação de alças viárias e outras obras estruturantes que melhorem o fluxo de entrada e saída da cidade.

 

Nesse contexto, também foi citada a articulação do prefeito de Itajaí, Robison Coelho, com o Instituto Mais Itajaí — Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, formada por cerca de 60 empresas locais, focada em financiar e doar projetos técnicos executivos para obras de infraestrutura e mobilidade urbana na cidade. Conforme destacado por Angioletti, está em avaliação a possibilidade de doação do projeto do viaduto do trevo. “Se conseguirmos o projeto, ganhamos tempo e economizamos recursos públicos, reduzindo em até dois anos a burocracia e cerca de R$ 2 milhões em custos”, explicou.

 

 

Texto: Adão Pinheiro / Buriti Jornalistas

Foto: Divulgação Prefeitura de Itajaí

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